E aí, Galera Nerdzilla? Hoje temos uma matéria especial sobre o icônico filme de terror e aventura "Van Hellsing. Vamos lá?
Espere até a última Badalada
Apesar de não ter revolucionado a indústria do cinema, “Van Helsing” (2004), consegue prender o telespectador até fim. Eu realmente encontrei muita gente que não se agradou do filme. Fãs mais ardorosos de filmes clássicos de monstros, mas cinéfilos críticos são sempre assim. Enfim, haters a parte, Van Helsing do diretor e roteirista Stephen Summers, trouxe de volta alguns aspectos que são interessantes. Como os vampiros clássicos que eram elegantes e charmosos sim, mas também eram do mal e impiedosos, ao mesmo tempo em que tão humanos em seus sentimentos quanto nós.
Não simplesmente feras do Inferno ou doces apaixonados. Eles tinham profundidade e complexidade como no brilhante “Entrevista com Vampiro” de Neil Jordan. A primeira cena em preto e branco no Castelo do Dr. Frankenstein com aldeões religiosos e furiosos com ancinhos e tochas é uma carta de amor aos filmes de monstros clássicos. O filme todo possui muitas referências a essas obras antigas como “As Noivas do Drácula” de Terence Fisher (1960), “O Corcunda de Notre Dame” (1996), “O Médico e o Monstro” (1941) entre outros.
Lá, vive um Certo Conde Drácula
A intenção original era fazer com que o filme fosse uma continuação do lendário “Drácula” de Bram Stocker. No entanto, ao invés de seguir uma linha reta, Summers ampliou o jogo e juntou vários monstros num único longa. Aposta arriscada, mas bem conduzida. Pois, vemos que a narrativa de um monstro leva e está ligada ao próximo a aparecer como a necessidade de Drácula por achar o Monstro de Frankenstein, por exemplo. Anthony Hopkins foi cogitado para voltar ao papel de Abraham Van Helsing, mas ao invés disso tivemos um personagem novo, Gabriel Van Helsing interpretado pelo nosso querido Hugh Jackman.Depois do primeiro ato, o filme deslancha em ação sem parar, o que pode ser demais para certos ouvidos já que as cenas as vezes são bem altas. Os figurinos e cenários são elegantes e bem construídos, com ressalva talvez a algumas cenas com o uso exagerado de CGI, que aliás é bastante presente neste longa. Não poderia ser de outra forma, afinal é um filme de monstros e ação. Por falar nisso, a junção desses quatro gêneros, ação, fantasia, terror e aventura, poderiam ter sido mais amenizadas e ter seguido um caminho mais “polido” escolhendo um foco maior. Já que isso termina não deixando que alguns pontos se sobressaiam tanto quanto outros. A ação e aventura terminam tendo mais destaque do que o terror, por exemplo, que em minha opinião teria melhorado a narrativa já que é um filme sobre monstros. Eles por sua vez são bem feitos na medida do possível, mas não dão medo.

São interessantes e causam algumas cenas de boa tensão e expectativa, mas necessitava de um algo a mais. Os lobisomens desse filme são uns dos melhores do cinema em minha opinião. São animalescos e selvagens como se espera dessa criatura. Aliás, todos os monstros têm todas as características clássicas incluindo fraquezas que são o que faz com eles sejam poderosos, mas não indestrutíveis. O clima das filmagens com aqueles tons escuros e as locações em Praga na República Tcheca dão um ar sombrio bem adequado para as cenas. Realmente as cenas com a luz do sol só aparecem quando elas são necessárias para história. Como quando as vampiras precisam se esconder do sol para não se tornarem cinzas. É realmente o tipo de lugar que eu escolheria para viver se fosse um vampiro. Um lugar com pouco sol. A trama é bem corrida, mas consegue se sustentar na maior parte do tempo. As armas e artificieis a disposição dos personagens são bem engenhosas e interessantes e ganharam bastante destaque. Afinal eles não poderiam matar aqueles monstros com armas comuns.
Quanto a atuação ela não deixa a desejar. Hugh Jackman como personagem título foi uma grata surpresa. Pois, não atuou como uma versão caricata de terror do Wolverine e conseguiu ser a liga dos demais personagens até mesmo os de aparições relâmpago. Não foi uma surpresa ver Kate Beckinsale (Anna Valerious) em roupas justas chutando vampiros na tela, uma vez que ela já havia estrelado o filme “Anjos da Noite” como a vampira Selene. A atuação dela é apaixonada, mas despretensiosa. Não tenta roubar a cena para si apesar de ser uma das protagonistas. Richard Roxburgh entrega um Conde Drácula bem diferente. Não é o que eu esperava, admito, e a interpretação as vezes fica um pouco exagerada, mas ele é muito bacana e interessante. Excêntrico e até meio louco, mas, isso faz com que ele seja muito perspicaz. No fim é um personagem divertido de se ver. As noivas do Drácula são muito charmosas e ameaçadoras ao mesmo tempo que sensuais e misteriosas. Cada uma tem suas cenas nas quais se sobressaem mais e ganham a oportunidade de cativar. Dentre elas a minha favorita é Aleera, a ruiva (Elena Anaya). É a que consegue resistir até o final e também a que dá mais trabalho aos mocinhos.
Erros? Não se preocupe, Deus vai nos perdoar

Bem, os errinhos e falhas existem, mas é necessário dizer que eles não fazem com que o filme seja ruim. Mas, certos elementos não têm tanto destaque o que faz com que eles fiquem soltos e desconectados. Como as questões existenciais e os mistérios a respeito do passado de Van Helsing. O filme termina de fato sem revelar muita coisa nesse respeito. Ok, isso pode até dar um ar de mistério ou poderia ser a intenção do diretor fazer uma continuação (que seria muito bem-vinda), mas ainda assim poderia ter sido mais explorada. É mencionado que Van Helsing é “A Mão Esquerda de Deus” e eu achei isso muito interessante e intrigante. Pelo que parece ele possui um tipo de longevidade sobre humana e alguns poderes (fora os de lobisomem), mas Summers simplesmente não fala quase nada sobre isso. O CGI e alguns efeitos práticos podem ter ficado um pouco datados quando se revisita o filme atualmente. Certamente algumas cenas farão você rir por seu CGI das antigas. No entanto, devo dizer que isso tem o seu charme.

Algumas cenas não descem pela garganta mesmo para um filme de fantasia. Como a cena em que Carl joga uma seringa para Anna de uma ponte semidestruída durante um temporal enquanto a heroína se balança num cabo de aço sobre um precipício. Assim como a lamina de prata entregue ainda de Carl para Anna no último segundo antes da mordida também é bem irreal, apesar de ser bem mais crível do que a anterior. Ainda falando dos defeitos, temos a décima segunda badalada que parece nunca chegar. E a luta final é um pouco anticlímax mesmo que tenha sido boa, poderia ter sido mais emocionante já que o filme puxou o tempo todo para a ação. O sotaque forçado do Cardeal no início do filme também foi bem feio de se ouvir assim como os de Anna e Velkan. Eram desnecessários em minha opinião (ou deveriam ter sido mais trabalhados). O final foi um tanto inesperado, mas as vezes os filmes de monstros terminavam com uma tragédia mesmo. Isso conduziu uma boa redenção aos personagens e até as cenas ficam mais claras e limpas com mais cores. Implicando que o mal fora mesmo derrotado e que tudo terminara bem. A cena final ainda deixa uma pequena esperança de continuação ao vermos Van Helsing e Carl indo embora continuando sua jornada de combate as forças do mal.
E a Caçada continua?

Felizmente temos boas noticias a respeito do Universo de Van Hellsing. O diretor Julius Avery ofereceu uma atualização sobre seu planejado reinício de ‘Van Helsing‘, após três anos sem progresso no projeto.
“Eu mencionei James Wan antes, e eu sou um grande fã dele. Eu tenho vontade de trabalhar com ele por um tempo. Ele é um companheiro australiano, e sim, nós trabalhamos juntos em um filme de Van Helsing , que estou escrevendo atualmente e pretendo dirigir com a produção de James. Mas sim, isso ainda está em andamento. Não posso dizer muito mais do que isso, mas estou muito, muito animado com o filme!”, afirmou.
Além disso, Van Hellsin ganhou uma série de TV pelo Canal SyFy que contou com cinco temporadas e teve avaliação mista do público e da critica especializada. No entanto, a série merece uma conferida dos fãs do filme em minha opinião.
Mas, e aí? O que você acha do filme Van Hellsing? Deixe a sua opinião nos comentários e até a próxima.
Sobre o Autor
Thiago De França
Escritor, Nerd e Gamer Amador. Tenho 34 anos e sou completamente apaixonado pela Arte. Sou formado em Designer Gráfico e escrevo sobre cultura geek, séries e games no Nerdzilla.
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